“O desporto como ferramenta para partilhar valores cristãos”

Ricardo André Pires é casado há 9 anos com Verónica e têm 2 filhos: a Miriam (6 anos) e o André (2 anos). Ricardo é ex-jogador profissional de futebol com percurso na Liga Portuguesa e Búlgara e licenciado em Ciências Psicológicas.

A relação do Ricardo com o desporto começou por volta dos 4-5 anos, numa calçada na Ajuda, próximo de Lisboa, junto a um snack-bar que os pais dirigiam na altura. Desse tempo o Ricardo lembra-se que “foi ali que deu os primeiros chutos numa bola de papel enrolada em fita-cola” que ele próprio fazia com as toalhas de papel utilizadas nas mesas de refeição do snack-bar dos pais. Dali até conseguir convencer o “meu pai a levar-me aos treinos de captação do SL Benfica, que na altura só se destinavam a crianças a partir dos 7-8 anos, foi uma questão de tempo”. O grande sonho de Ricardo era um dia poder ser jogador profissional de futebol, o que viria a acontecer uns anos mais tarde. Entretanto, foi às captações do SL Benfica “e pelos vistos tinha jeito porque para além de ter sido selecionado para integrar a equipa”, tendo-se mantido por lá até aos 20 anos (Equipa B), altura em que se transferiu para o FC Paços de Ferreira.

Uma nova etapa na vida do Ricardo acontece fruto do seu percurso no desporto, onde viria a conhecer Jesus. Aos 20 anos tinha assinado contrato com o FC Paços de Ferreira. Nessa altura “vivia sozinho, distante da família e dos amigos”. Era um período de “mudanças, de novos desafios e também de alguma solidão… Tinha na altura um colega de equipa brasileiro chamado Júnior e que se equipava mesmo ao meu lado no balneário”. Ricardo explica, para quem não sabe, “que num balneário de futebol existem lugares fixos”, o que significa que depois do atleta escolher o seu lugar, será ali que vai passara a equipar-se. A proximidade com Júnior permitia que conversassem bastante. Júnior é descrito por Ricardo como alguém “extrovertido, simpático e de muito bom trato, o que deu origem a uma grande amizade”. Fruto dessa amizade haveria de surgir um convite para ir a sua casa às quintas-feiras, para participar numa reunião de atletas na qual se falava acerca de Deus. O convite foi aceite de imediato “e por dois anos e meio, não faltei a nenhuma”. Decorridos 3 meses após a primeira reunião “tomei a decisão de aceitar Cristo como meu Senhor e Salvador”. Manduca, outro colega de equipa, acabaria por ser de grande influência na sua vida durante esse período. Ricardo admite que nos primeiros tempos de cristão, o Pastor Zick, responsável nessa altura pelo ministério dos Atletas de Cristo, foi crucial na ajuda e disponibilidade demonstrada para responder “às minhas infindáveis questões relacionadas com a Bíblia”.

Um atleta, independentemente da modalidade que representa, especialmente ao nível da alta competição, enfrenta diversos desafios, e Ricardo enfrentava também os seus, agora como atleta e cristão. Um dos primeiros desafios foi relacionado com a linguagem utilizada dentro de campo. “Percebi que a minha linguagem na altura era imprópria para alguém que se diz cristão. Tinha acabado de aprender na Bíblia que aquilo que falamos tem muito poder, tanto para o bem como para o mal. Não me parecia adequado usar palavras de desrespeito e de maldição para com os meus colegas de profissão, tinha entendido que Deus nos chama para sermos diferentes no bem sentido…” Sentindo o peso da responsabilidade pelo nome que representava, “tentei ser leal com os meus colegas e sobretudo manter uma postura digna de alguém que tentava aprender com o exemplo maior de Jesus Cristo”. A vida fora do campo foi também um desafio para o Ricardo, não que fosse dado a grandes excessos nas saídas à noite ou com bebidas ou drogas, "porque nunca fui, mas tinha muitas amizades e percebi que nem todas se enquadravam dentro da minha nova forma de estar na vida baseada no exemplo de Jesus."

O desporto, como linguagem universal, pode ser usado para influenciar os outros. Milhões em todo o mundo assistem a algum evento desportivo, praticam alguma modalidade, têm um atleta ou um clube favorito. O desporto, de facto, atrai multidões. Ricardo acredita que este é “o principal argumento que permite utilizar o desporto como ferramenta eficaz para influenciar outros, o facto de ser tão popular nos nossos dias. O que fazemos na prática é utilizar algo que as pessoas já estão muito familiarizadas e se identificam (ex: Futebol) para promover a educação não formal de valores cristãos”. Ricardo dá um exemplo: “quando ensinamos ao jovem a técnica do passe e recepção no futebol, conseguimos explicar-lhes que ao passarmos bem a bola estão a aumentar-lhe a probabilidade de fazer uma boa recepção e vice-versa, e que tudo isto em conjunto vai melhorar a qualidade de jogo da equipa. Podemos rapidamente transpor esta verdade para o quotidiano de cada um deles, dizendo que quando, por exemplo na escola, trabalham em grupo devem fazer as suas tarefas o melhor possível de forma a facilitar o trabalho dos seus colegas e, em última análise, o resultado final do grupo. Este exemplo ilustra uma mais-valia associada aos desportos, que é envolver sempre o componente relacional”.

Presentemente o Ricardo está envolvido no ReadySetGO, um movimento à escala mundial que utiliza o desporto e os jogos como ferramenta para partilhar valores cristãos. No fundo, “é um meio de educação não formal que através do desporto e dos jogos pretende influenciar todas as pessoas com a mensagem cristã”, afirma Ricardo. E adianta: “Isto pode ocorrer numa perpectiva de evangelização e/ou de discipulado, dependendo que o objectivo da igreja, comunidade, organização ou grupo de indivíduos têm em mente. Convém dizer também que este movimento tem como suporte um vasto leque de recursos “práticos” que são fruto do conhecimento e da experiência que pessoas dos mais diversos contextos vão partilhando gratuitamente entre si”. Ricardo não tem dúvida: “É um movimento que visa mobilizar todo o corpo de Cristo para sair do conforto das suas igrejas indo ao encontro das comunidades envolventes com estratégias criativas, divertidas, e que promovem o bem-estar físico, psíquico e espiritual”.

O sonho de Ricardo para Portugal ao nível dos ministérios desportivos, a curto prazo, “passa por divulgar a visão dos ministérios desportivos pelas igrejas portuguesas, dar formação específica em estratégias que se adequem à realidade de cada igreja, associação ou organização e finalmente conseguir fundos para podermos ter missionários inteiramente afectos aos ministérios desportivos”, diz.

Como família, Ricardo lembra que os planos, enquanto casal jovem, passam por ser “usados por Deus na nossa nação e onde pisarem os nossos pés”. Segundo ele, “Ainda é possível acreditar no conceito “Família”, porque Deus a designou como a base fundamental das relações humanas”. Acredita que enquanto família, e pela forte ligação que “todos temos com o desporto”, Deus os tem direcionado para trabalhar nesta área. O seu desejo “é estar disponível para o fazer, usando os dons e talentos que Deus nos dá para podermos ser uma influência positiva na vida de tantos outros com quem regularmente nos relacionamos”.

Ricardo mostra-se disponível para partilhar com as igrejas e as comunidades as propostas para este ano, sendo9 de destacar os Festivais Comunitários, KidsGames, FamilyGames, acampamentos desportivos e clínicas desportivas. Os recursos estão gratuitos online (readysetgo.ec;mas7.org;mykidsgames.com) e temos várias formações e novas traduções em português. Para mais informações podem contactar Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. ou 916686956.