Carlos Rebelo é um empresário na área da construção civil, reparação/manutenção em imóveis, tendo a seu cargo uma equipa de três colaboradores a tempo inteiro. Casou há 16 anos com a Sofia, licenciada em Política Social, actualmente a desempenhar funções como assistente social na ABLA. Receberam uma oferta de Deus, o filho Samuel, hoje com 6 anos. São cristãos e sempre acreditaram que Deus teria para eles um caminho conduzido por Ele e bem-sucedido. E assim tem sido. Mesmo em momentos muito difíceis, Deus tem sido a sua força e o seu conforto. Vamos conhecê-lo melhor.

Homem Hoje Online – O Carlos Rebelo faz parte de um grupo cada vez maior de empreendedores no nosso país. Pode dizer-nos como e quando iniciou a sua actividade?

Carlos Rebelo – Comecei em 2003 com uma necessidade de arranjar um part-time porque a igreja aonde servia teve necessidade de alguns dos obreiros arranjarem sustento próprio. Tendo eu como experiencia profissional desde os 15 anos a canalização foi por ai que comecei, através de alguma pesquisa individual descobri que havia apoios do IEFP para a criação do próprio posto de trabalho, então depois de ter uma reunião no IEFP de loures reuni as condições e requisitos e candidatei-me ao apoio o qual veio a ser aprovado. Comprometi-me com o IEFP a criar mais um posto de trabalho no espaço de 2 anos o que veio a acontecer em menos de 1 ano. Também  passei de empresário em nome individual a empresa no espaço de 10 meses. Tudo isto só foi possível pela orientação de Deus e porque assim Ele quis que acontecesse. Nessa altura eram muitos os que diziam, que o mercado estava saturado, que eu já não estava atualizado mas eu tinha muito bem definido o que queria, continuar a servir a Deus e esta era uma maneira espetacular ir a casa/empresa/condomínios e fazer o melhor da melhor forma com o melhor empenho com os melhores materiais  afim de servir a Deus na vida dos meus clientes. Outro objetivo era dar oportunidade a rapazes que terminassem o programa do Desafio Jovem a virem e aprenderem uma profissão e trabalharem num ambiente cristão que fosse um local de serviço a Deus e claro o outro objectivo era que eu e a minha casa tivéssemos mais em recursos financeiros.

HHO – Quais são os maiores desafios que se colocam hoje a um empreendedor, em Portugal?

CR – Para mim continua a ser a honestidade tanto profissional, financeira e principalmente espiritual claro que esta resposta pode levantar algumas questões como então e a crise e os impostos e as regras do mercado que são alteradas a meio, sim eu podia ir por ai mas tem de concordar com o seguinte o que é que há de novo nisso já nos tempos de Jesus as pessoas se queixavam dessas angustias não há nada de novo debaixo do ceu. O maior desafio é sem duvida manter-nos fiéis aos princípios do cristianismo.

HHO – Quais foram as maiores  dificuldades que enfrentou no início?

CR – Toda a aprendizagem de gestão, organização e de não deixar de ter tempo para servir na minha igreja local o que se veio a evidenciar como o mais difícil mas hoje digo com toda a frontalidade é possível não é fácil requer uma grande disciplina e agendamento com critério de prioridades (que tantas vezes colidem umas com as outras). Tive que desde o início procurar ajuda, conselho e até exemplos práticos de como fazer melhor. Algumas das coisas que me aconselharam a fazer e ainda hoje são pilares na minha empresa são ORGANIZAÇÂO, DISCIPLINA PROFISSIONAL  E  NADA DE TER MAIS DO QUE O SUFICIENTE.

HHO – Com maior ou menor intensidade, a crise faz-se sentir em todos os ramos de actividade. Particularmente na sua área, sente dificuldades acrescidas?

CR – Claro que os tempos que vivemos também se refletiram na minha empresa, mas nunca tivemos falta de trabalho, graças a Deus mas sim o volume de trabalho diminui mas como sempre fomos uma empresa sem dividas isso veio a revelar-se de estrema importância nestes tempos mais difíceis. Se posso nesta resposta deixar um conselho aos empresários é o seguinte se a nossa confiança está em nós, no nosso dinheiro, nos nossos cliente, no mercado ou noutros fatores miseráveis homens nós somos a biblia diz “Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do SENHOR nosso Deus.  Uns encurvam-se e caem, mas nós nos levantamos e estamos de pé” (Salmo 20:7,8).

HHO – Não obstante a crise que se vive, tem sentido a bênção de Deus na sua vida profissional?

CR – Sim, a minha empresa tem 11 anos e nunca teve dívidas. Pagamos a pronto pagamento, sempre tivemos lucro mesmo nos anos de muita crise e o nome Carlos Rebelo, Unipessoal Lda. é um sinónimo de honestidade no meio empresarial. Aproveito para agradecer aos meus funcionários (os atuais Énio, Lima e Jorge) e a todos os que já passaram pela empresa e que acima de tudo são meus irmãos em Cristo e ainda por cima amigos íntimos e porque sem eles não seria possível.

HHO – A vida não se faz somente de trabalho. Nos seus tempos de lazer, o que mais aprecia fazer?

CR – Estar com amigos, cozinhar e passear com a família.

HHO – Tem alguma modalidade desportiva favorita? Se sim, qual é?

CR – Não pratico neste momento nenhuma e as que gosto de ver são o rugeby, atletismo e saltos de esqui.

HHO – Se lhe oferecessem uma viagem, qual o país que desejava conhecer, e porquê?

CR – Islândia um pais de muitos contrastes naturais desde o gelo ás paisagens exóticas.

HHO - Rebelo, a história de amor pelo seu filho começa com outra história de amor. Como é que se cruzaram os caminhos do Rebelo e da Sofia?

CR - Os nossos caminhos cruzaram-se inicialmente no Café Convívio das Laranjeiras, um espaço de encaminhamento e acompanhamento a pessoas com problemas de toxicodependência e suas famílias. Eu estava ali para receber ajuda, no processo de preparação para dar entrada numa comunidade terapêutica e a Sofia fazia parte da equipa de cooperadores. Só algum tempo mais tarde, porque fazíamos parte da mesma igreja, e porque Deus assim tinha preparado, é que os nossos caminhos começaram a entrelaçar-se.

Homem Hoje Online - Rebelo, o que é que o atraiu na Sofia?

CR - Para ser honesto, não foi uma atracção mas uma convicção de Deus. No dia 03.09.1994 ao olhar para ela pela 1ªvez depois de me tornar cristão, (pois já a conhecia do Café Convívio) Deus revelou-me no meu íntimo que esta seria a minha esposa. Depois desse dia não foi fácil pois só voltei a vê-la em Dezembro. Depois foram mais 9 meses de oração e muita resistência dos meus líderes e da família dela. Mas, enfim, lá chegou o dia 07.03.1998 e casámos.

HHO - O sonho de serem pais foi mais longo do que esperavam?

CR - Foi um sonho que demorou muito tempo a tornar-se realidade. A Sofia não conseguia engravidar, e passados dois anos resolvemos ir ao médico, o qual nos disse que seria muito difícil ela engravidar porque estava quase na menopausa, fora de tempo. Após vários anos de tratamentos, e todos sem sucesso, resolvemos parar e simplesmente esperar pela vontade de Deus. Para a Sofia o dia da mãe era uma tortura porque aumentava e alimentava um sonho que demorava a concretizar-se. Esperámos sete anos até ao nascimento do Samuel. Para nós foi um milagre porque, apesar do que os médicos diziam e de todo o insucesso dos tratamentos, existia um plano maior.

HHO - O vosso filho chama-se Samuel. Há algum significado especial nesse nome?

CR - Sim. Samuel significa “do Senhor o pedi”. Vivemos na primeira pessoa a história de Ana relatada em I Samuel. O nosso filho foi pedido inúmeras vezes ao Senhor e por isso lhe demos o nome de Samuel.

HHO - Como descreve a sua experiência de ser pai?

CR - O maior desafio em que já alguma vez estive envolvido e já foram muitos (separação dos meus pais, viver sozinho, drogas durante 8 anos, programa do Desafio Jovem, servir a Deus como voluntário (Operação Josué), fazer parte de uma equipe que começou uma igreja, criar uma empresa. Mas de todas foi, é e será a mais recompensadora.

HHO - A certa altura, foram surpreendidos por uma provação grande...

CR – Sim, o Samuel ficou doente com pneumonia e nas análises descobriram-se que alguns valores sanguíneos não estavam muito bem. Os médicos quiserem voltar a analisá-lo após o término da pneumonia mas os valores permaneciam alterados o que já não era normal. Quiseram fazer análises à medula mas sem nunca nos darem qualquer diagnóstico. Dois dias depois ligam do hospital para mim apenas a dizer que o Samuel estava muito doente e que na manhã seguinte teríamos de estar com o nosso filho no IPO onde nos aguardava uma equipe médica. Só na manhã seguinte soubemos, de rajada, que o Samuel tinha leucemia e que ficaria imediatamente internado durante um mês e iniciaria o tratamento com quimioterapias de imediato.

HHO - Como reagiram à notícia?

CR – Foi um dia muito difícil para nós. A par da dor que senti, tive medo pela Sofia pois tive que ser eu a dar-lhe a notícia. Mas esta dor foi acompanhada sempre por uma consciência de que o nosso Deus estava presente. Ele sempre foi o nosso Emanuel, Deus connosco.

HHO - Como decorreram os tratamentos e durante quanto tempo?

CR - Os tratamentos iniciaram-se logo no primeiro dia de internamento no IPO. Durante cerca de um mês, sem sairmos do IPO, o Samuel esteve sujeito a várias combinações de quimioterapias, tanto injetáveis como em comprimidos. Esteve no isolamento cerca de 21 dias, período mais complicado para nós porque víamos o nosso filho a emagrecer muito, a perder apetite, massa muscular e cabelo.

Quando saímos dos internamentos continuámos a ter de ir ao hospital todas as semanas para o Samuel continuar com os tratamentos de quimioterapia, para além dos restantes tratamentos em casa, que fez até Julho de 2013.

HHO - A vida social e escolar do vosso filho foi limitada nessa altura. Como fizeram para atenuar essa experiência de algum isolamento?

CR - Procurámos que, dentro do possível, ele pudesse ter visitas em casa. Claro que ninguém podia estar doente ou ter estado perto de alguém doente.

Assim que foi possível, voltámos a levá-lo à igreja para que pudesse continuar a relacionar-se com os seus amigos.

E enquanto ele não podia sair de casa, procurámos que tivesse acesso a algumas das coisas que tinha no infantário. Para isso a ajuda da Susana Silva e da Lídia Cardador foi preciosa, ao virem a nossa casa fazer as aulas do bébéarte (projeto para desenvolvimento ao nível da música e movimento para crianças) de forma personalizada.

HHO - De que forma sentiram o suporte de Deus durante esse tempo?

CR - Sempre que penso nisso e olho para esse tempo, reconheço a presença de Deus que foi vital mas também o amor demostrado de tantas formas pela família da fé, pela família, pelos amigos e até por estranhos que souberam e demonstraram preocupação e disponibilidade para ajudar no que nós precisássemos. Para ser franco, às vezes ao pensar e falar desse tempo sinto algum desconforto porque sendo um período terrível penso e falo dele como um período muito bom e não consigo explicar esta complexidade, sei o porquê (Deus foi connosco) mas não sei o como.

HHO - A oração teve um significado diferente nesta altura?

CR - Sim, sim e sim a oração passou de uma conversa (muitas vezes um monólogo) para uma intimidade e conhecimento de que Deus é realmente uma pessoa que está presente e essa presença é muitas vezes quase palpável.

HHO - Como casal, que efeito teve esta experiência sobre a vossa relação?

CR - Hoje sou menos Rebelo e mais Sofia. Mais do que nos unir, a experiência misturou-nos.

HHO - Como está agora o Samuel?

CR - Recomenda-se, está ainda a ser acompanhado no IPO, mas cada vez mais espaçado no tempo e assim será pelo futuro dele. O Samuel é uma criança como qualquer outra, com liberdade para brincar, correr e relacionar-se com os outros sem qualquer impedimento.

HHO - Houve alguma passagem bíblica que foi especial para vós neste tempo e que queira partilhar connosco?

CR - “O criado de Eliseu levantou-se muito cedo e, quando saiu de casa, viu o exército que cercava a cidade, com cavalos e carros de combate, foi perguntar a Eliseu. E agora mestre, que vamos fazer? Eliseu respondeu, não tenhas medo, porque são mais os que estão connosco do que os que estão com eles. Depois orou ao SENHOR, rogo-te, SENHOR, que lhe abras os olhos para que veja. O SENHOR abriu os olhos do criado e ele viu que a montanha estava cheia de cavalos e carros de fogo em volta de Eliseu.” (II Reis 6:15-17)