Jim Denison, na sua habitual coluna The Daily Article, comenta um artigo recentemente veiculado no Washinton Post que chamou a sua atenção: “Não estou a passar a religião dos meus pais para os meus filhos, mas estou a ensinar os seus valores”.

O autor é Jared Bilski, escritor e comediante da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Fala do seu crescimento na Igreja Católica, onde frequentou o jardim-de-infância até o ensino médio, tendo servido como auxiliar na liturgia da igreja. Chegou, inclusive, a considerar fortemente a possibilidade de abraçar o sacerdócio.

No entanto, escreve Bilski: "Eu perdi a fé na minha fé. Havia muitas perguntas não respondidas, muitos absolutos problemáticos, muito medo e muita hipocrisia. Para uma religião que atribui elevado valor no amor ao próximo, há muitas restrições sobre quem você pode amar. "

O escândalo do abuso de crianças que recentemente veio a público e que abalou fortemente a Igreja Católica, foi a gota de água no desencanto que vinha experimentando. Quando se desfez a base de confiança, Bilski admitiu: “Eu sabia que nunca voltaria”. Não obstante, ele faz questão que os seus filhos tenham "uma sólida compreensão de todas as religiões" e "respeito pelas crenças dos outros". E explica: "Afinal, a Regra de Ouro é algo que deve ser incutido em todas as crianças, independentemente da sua religião ou a falta dela."

Bilski e sua esposa não pretendem manter os seus filhos afastados da religião, antes permitir que fiquem "expostos a tudo, espiritualmente falando, de modo a responder honestamente a quaisquer perguntas que possam ter sobre Deus e religião, e deixá-los escolher por si mesmos". Acima de tudo, ele deseja transmitir aos filhos os princípios morais que recebeu da mãe. Bilski conclui: "Esse tipo de fundamento importa muito mais do que a igreja à qual você pertence, se é batizado, porque, no final, as ações sempre falam mais alto que palavras, até mesmo as palavras da Bíblia."

Bilskis, já se percebeu, é um indivíduo desencantado com a religião, particularmente a que professou durante vários anos, como acontece com muitos americanos, desencanto que se estende a outras partes do mundo, no que à religião respeita. As estatísticas dizem que o número de americanos que afirmam não “ter religião” é de aproximadamente 23,1%, superior ao número de católicos (23%) e evangélicos (22,5%), o equivalente a cinquenta e oito milhões. Surge a pergunta: “Por que tantas pessoas decidem não se filiar numa religião? O espaço de que dispomos não permiti responder à pergunta de forma satisfatória, mas uma das razões poderá estar relacionada com a posição que as igrejas assumem em relação a questões sociais fracturantes na sociedade hoje, tais como aborto, homossexualidade, uniões de facto, entre outros. Outros dirão simplesmente que não acreditam em Deus, outros ainda, acham irrelevante a religião, não confiam nos líderes religiosos, não se revêm nos ensinos religiosos.

Bilski aponta três ou quatro questões que estão na origem do desmoronar das suas convicções religiosas. Talvez se ele tivesse aprendido a confiar em Cristo, os alicerces da sua fé, embora não isentos de provas, e mesmo não tendo resposta para muitas questões que se levantam no domínio da fé, na caminhada cristã, hoje permaneceria firme, não estaria a engrossar a lista dos desistentes. Bilski refere também a “hipocrisia” e o escândalo com a pedofilia no seio da igreja como algo que o deixou incomodado. A hipocrisia é de facto uma praga. À semelhança de Cristo que admite a existência de “hipócritas” no meio dos santos, nós devemos repudia-la, não tolerando abusos sejam de que natureza for. Os cristãos falham, do mesmo modo que profissionais de outras áreas. Rejeitamos a política só porque alguns políticos não são credíveis? E que dizer acerca de "Restrições sobre quem você pode amar", que Bilski invoca? Aqui Bilski também se sente incomodado, referindo-se talvez a relacionamentos de pessoas do mesmo sexo. Só ele pode clarificar. Para os cristãos não se trata de restrições, mas de princípios que nos governam, que Deus instituiu. Cara(o) leitora, mantenha o foco em Cristo, Ele não desilude.

Abel Tomé