Em I Reis 2: 1-3 temos as palavras finais de David, dirigidas ao seu filho Salomão. Diz: “E aproximaram-se os dias da morte de Davi; e deu ele ordem a Salomão, seu filho, dizendo: Eu vou pelo caminho de toda a terra; esforça-te, pois, e sê homem. E guarda a ordenança do Senhor teu Deus, para andares nos seus caminhos, e para guardares os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus testemunhos, como está escrito na lei de Moisés; para que prosperes em tudo quanto fizeres, e para onde quer que fores.”

Se queremos saber o que é a verdadeira masculinidade, esta passagem dá-nos uma grande base e uma percepção rica.

David ordena a Salomão "sê homem". "Sê" também pode ser traduzido como "aparece", "acontece", "estabelece-te" ou "continua". A palavra traduzida como "homem" de facto implica o masculino como oposto ao feminino. Salomão deveria demonstrar características fundamentais no desígnio de Deus na sua masculinidade ao assumir o trono e suceder a David como rei de Israel. Não é que ele não fosse homem antes de chegar ao trono; pelo contrário, a exortação de Davi ao filho é mostrar o que ele realmente já era no seu íntimo. Ele deveria viver a virilidade e a masculinidade bíblica ao assumir o papel de rei. Certamente que ele teria sido homem antes de subir ao trono, mas é responsabilidade de David que ele aja como homem de Deus enquanto estiver no trono. Estar no poder não faz de uma pessoa um homem, mas, como em muitas outras épocas e papéis da vida, exige que os homens vivam como homens de Deus.    

Nesta passagem bíblica, o mais importante é a forma como David define um homem. Salomão revelar-se-á como um homem se for, primeiro, forte. Isso não significa predominantemente forte fisicamente, mas o significado é o de força e robustez interior. Ele deve ser resoluto nas suas convicções, no seu caráter e na sua integridade. Deve ser firme quanto ao que ele representa e ao exercer justiça. Deve fazer a sua parte para que a vontade de Deus prevaleça no reino. Deve permanecer corajoso na batalha e deve ser corajoso quando se trate de defender a verdade e as leis de Deus. Uma parte de ser homem é ser forte em Cristo reconhecendo, como Paulo, que podemos todas as coisas através de Cristo que nos fortalece (Filipenses 4:13). David, que conquistou Golias, não era um homem de medo, mas de grande força. Ele não era o maior ou o mais forte dos homens fisicamente, mas tinha muita fé. Era a sua fé e a sua confiança em Deus de que tudo era possível que o tornava forte. Os seus grandes feitos físicos foram realizados com força interior, baseada na força que somente Deus poderia prover. David queria que Salomão fosse forte no Senhor e na força de Seu poder (Efésios 6:10). Infelizmente, foi o declínio moral de Salomão que o tornou um líder fraco, um homem e um rei fracos. A força encontra-se sempre na confiança em Cristo e em obedecer aos Seus mandamentos. Isso leva-nos à segunda marca de um homem, que, de acordo com David, é a obediência à Palavra de Deus. Isso é fundamental para a masculinidade bíblica, e é realmente a própria essência disso. Se um homem obedece à Palavra de Deus na forma como vive e trata os outros, revela-se realmente como um homem. Tudo o que Salomão tinha que fazer era ter fé suficiente para ser suficientemente forte e obediente. Então provaria que era suficientemente homem.    

Não existe um ritual de iniciação ou um conjunto estranho de circunstâncias pelas quais um garoto deva passar antes de se tornar homem. Existem muitos meninos e adolescentes jovens que são muito mais homens do que homens adultos. Tal sucede porque eles representam justiça, agem com força e obedecem à Palavra de Deus. Esta é a masculinidade levada ao máximo. Eles tratam as mulheres com honra, respeitam os pais e estão dispostos a partilhar o evangelho, entre muitas outras decisões que exigem fé e força. David era jovem quando venceu Golias, e a mensagem é que a transição da infância para o homem adulto tem pouco a ver com a idade, em comparação com o compromisso com a Palavra de Deus. É verdade que existem mudanças físicas, mentais e emocionais que ocorrem quando um menino passa para a adolescência e depois para a idade adulta, mas o principal critério para a verdadeira masculinidade adulta é quem é a pessoa no seu íntimo em relação a temer ao Senhor e a tremer diante da Sua Palavra. Existem homens que vivem como meninos, e há meninos que vivem como homens. A questão não é tanto a idade mas sim o coração.      

O casamento não faz um homem, conseguir um emprego não faz um homem, e ter filhos não faz um homem, embora cada uma dessas oportunidades dê ao homem a chance de se revelar um homem. Um homem é um homem porque Deus o fez homem em oposição à mulher (Génesis 1:27), e um homem é tudo o que um homem deve ser se temer a Deus. Um homem solteiro moral não é menos homem do que um homem casado moral, e certamente ele não é menos homem do que um homem casado imoral. Um homem que ama a sua esposa como Cristo amou a igreja (Efésios 5:25), que ensina os seus filhos na doutrina e na admoestação do Senhor (Efésios 6: 4), que faz tudo o que pode para cuidar da sua família (I Timóteo 5: 8), e que é ele mesmo um homem de piedade e caráter (2 Timóteo 2: 21-22) não pode ser considerado um “homem de homem”, mas ele é o homem de Deus, sendo como David, um homem segundo o próprio coração de Deus (Atos 13:22). Não importa se os nossos pais, amigos ou qualquer outra pessoa nos considera um homem ou não pois, em última análise, a masculinidade é definida por Deus. Deus criou os homens para serem homens, e os Seus homens honram a Sua Palavra.           

Se um homem duvida da sua masculinidade, ele precisa apenas de acreditar naquilo que já é verdade. Deus criou-o para ser homem e viver como homem por ser forte e guardar a Sua Palavra. Mesmo um homem que o mundo consideraria fraco, débil e o menos "viril" pode ser mais forte do que muitos no mundo se ele crer em Deus e guardar os Seus mandamentos. Ele não precisa de fazer uma viagem ao deserto e esperar que uma voz do céu declare à sua alma que ele é um homem. Ele não precisa de esperar que o seu pai ou alguma figura paterna de alguma forma lhe conceda "masculinidade". Ele não precisa de provar a si ou aos outros que tem o que é preciso para fazer o que o mundo ou ele julga ser importante e viril. A masculinidade é dada por Deus aos homens, e os homens devem vivê-la biblicamente, em vez de pervertê-la e redefini-la em termos mundanos, carnais e egoístas.

Quando os que estão sob os seus cuidados estão em perigo, um homem de verdade move-se no sentido de os proteger, mesmo estando disposto a dar a sua própria vida (João 15:13). Quando ele está a conquistar uma mulher ou num relacionamento matrimonial, ele honra-a e trata-a de maneira compreensiva, sendo delicado, gentil e protetor com ela (1 Pedro 3: 7). Ele conduz amorosamente a sua esposa, tomando iniciativa e responsabilidade pelo rumo e direção do lar, mas sempre ouvindo e sempre procurando fazer o que é do seu interesse (Efésios 5:25, 28; Colossenses 3:19). Ele faz o possível para entendê-la e ser para ela o que ela precisa. Ele não a trata como alguém menor, mas como uma herdeira igual e companheira da vida eterna em Jesus Cristo (I Pedro 3: 7). Quando ele está a criar os filhos, ensina-os na Palavra de Deus e não os provoca à ira (Efésios 6: 4). Quando está no local de trabalho, faz o melhor e trabalha com todo o coração (Colossenses 3:23). Faz o possível para sustentar o lar e toma medidas para garantir que a sua família tenha provisão um dia que faleça (I Timóteo 5: 8). Quando está na igreja, mostra-se disposto a usar os seus dons para servir os outros. Quando está em posição de liderança, fica confiante em Cristo para defender a verdade e tomar as decisões corretas. Em situação de tentação, ele resiste ao diabo e permanece firme contra a carne (Tiago 4: 7). Quando uma pessoa está em necessidade,  é generoso e misericordioso com ela (2 Coríntios 9: 7, Mateus 5: 7). Quando outros falham, ele está disposto a perdoar (Efésios 4:32) e não se vinga (Romanos 12:19), pois é gentil e de bom coração (Gálatas 5: 22-23). Ele estuda a Palavra (II Timóteo 2:15) e a ensina quando tem oportunidade (II Timóteo 2: 2). Ele é um homem dedicado à oração (I Tessalonicenses 5:17), e é um homem que ama a Deus com todo o seu coração, a sua alma e as suas forças (Lucas 10:27).           

O mundo precisa que os homens sejam homens, mostrando-se homens, não pelos padrões do mundo, mas pelos de Deus. A masculinidade bíblica é uma questão do coração, e é manifestada e amadurecida por um compromisso e em obediência à Palavra de Deus. Homens de verdade são homens de integridade, força interior em Cristo e coragem, dispostos a fazer o que é certo e a defender a verdade em todos os momentos e em todas as circunstâncias.

“From www.relevantbibleteaching.com by Brent Barnett”