É incrível ver o sorriso das pessoas

Eu era ainda criança e gostava de ver o meu amigo a desenhar. Ele tinha 12 anos e fazia graffitis e banda desenhada. Apreciava muito os trabalhos dele e desejava vir a ter a habilidade que reconhecia nele. E foi assim que comecei a desenhar, aos 10 anos de idade, em papel vulgar, com o lápis de carvão, nº 2.

Recordo-me de uma vez em que descobrimos uma técnica que nos deixou entusiasmados. Com um foco iluminávamos um rosto, de perfil e, assim, a sua sombra projectava-se na parede. Colocávamos o papel sobre a parede e desenhávamos os contornos do rosto. A primeira vez que o fiz, fiquei satisfeito por conseguir, assim, reproduzir os contornos faciais que identificavam mesmo aquela pessoa mas, por outro lado, dei comigo a pensar que era apenas uma parte do desenho. Faltavam ali os detalhes: olhos, nariz, lábios… Comecei, então, a dedicar-me mais ao desenho de rostos, deixando os grafittis e as letras. Nessa altura, o desenho já era uma parte integrante da minha vida e ficava muito feliz por ver como as pessoas se surpreendiam com a semelhança dos rostos que eu retratava.

Entretanto, fui viver para os Estados Unidos, com 15 anos de idade. Aí tive a oportunidade de estudar mais sobre arte e técnicas para desenhar rostos de uma forma mais real, mais perfeita. Aprendi a usar as sombras, a trabalhar as dimensões, a ampliar uma imagem pequena, pelo desenho. E nunca mais parei, nesta minha actividade como retratista. Hoje, continuo a gostar mais de desenhar pessoas do que qualquer outra coisa.

Entretanto, fui convidado para colaborar com a revista Biblion, desenhando escritores cristãos mundialmente conhecidos. Descobri nesta oportunidade, uma forma de servir a Deus com o meu talento e dá-lo a conhecer, continuando a aperfeiçoar o meu trabalho, de modo que os desenhos sejam cada vez mais reais, como se ganhassem vida, “saltassem do papel”.

Costumo ouvir música enquanto desenho. São duas artes que se unem naquele momento de concentração e criatividade, em que me sinto leve, em paz, como se tivesse viajado para um outro planeta.

Tenho feito desenhos para particulares, a partir de fotografias dos seus filhos, da família ou até de objectos de que gostam. São sempre horas de trabalho minucioso mas é incrível ver o sorriso das pessoas, deliciadas pelo significado que aquele desenho tem para si.

Nesta arte, acredito que estou sempre a aprender e quero continuar a desenhar. Muitas pessoas me têm dito: “Eu desenhava quando era pequeno, mas depois parei.” Referem que gostariam de ter continuado, porque era uma actividade que lhes dava imenso prazer, mas hoje entendem que não dominam essa arte por terem deixado o lápis e o papel há muitos anos. A minha sugestão é: não deixem de desenhar. É uma arte que se desenvolve com a prática e que oferece momentos muito agradáveis, de expressão da sensibilidade pessoal, em que vale a pena prosseguir.

Vejo nesta minha aptidão um dom de Deus, sem dúvida. Um dom, que vai para além das técnicas utilizadas, do muito estudo ou da muita prática ou até da satisfação das pessoas ao observar o trabalho final.  

Gosto muito deste versículo: “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.” (Jeremias 29:11). Na realidade, nenhum de nós sabe o futuro. Aquilo que fazemos hoje, não sabemos como irá resultar amanhã.  Contudo, esta passagem bíblica fala de um futuro bom, que Deus tem para nós. Assim, sei que posso confiar Nele em relação ao futuro. Entretanto, sei que aquilo que faço hoje pode fazer muita gente feliz!

Vitor Marini

Retratista

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