Fiquei a saber, então, que O Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, do qual António Centeno fez parte como oficial da Marinha, têm um lema em latim que declara o seu código de conduta na batalha e em seus assuntos: Semper Fidelis, ou “Sempre Fiel”.

 

Com esta introdução como pano de fundo, gostaria de vos convidar a visitar o livro de Provérbios, capítulo vinte e versículo seis, onde podemos ler: “Muitos proclamam a sua própria benignidade; mas o homem fidedigno, quem o achará?”Aqui, Salomão parece concluir que o homem fidedigno, aquele que exibe um traço de carácter tão importante para aqueles dias, como hoje, é difícil de encontrar. Facto. Por outro lado, percebe-se que há em Salomão, enquanto rei e enquanto indivíduo, uma certa frustração quando desiludido conclui que os homens fiéis, aqueles em quem se pode confiar absolutamente, são uma raridade. 

Eu pergunto: podem as pessoas à nossa volta confiar em nós? Os Marines americanos devem ter orgulho no seu lema: “Sempre fiéis”, podendo confiar uns nos outros, particularmente nos momentos difíceis. Somos nós pessoas fiáveis, que não deixam alguém ficar mal? Quando somos incumbidos de uma responsabilidade, quem o faz pode descansar que nós, em rigor, cumpriremos? Os nossos vizinhos, colegas de trabalho já se aperceberam que somos pessoas confiáveis? O pior que pode acontecer a um indivíduo, é alguém dizer: não mereces a minha confiança. Assim, em Provérbios somos desafiados a “ser homens em quem se pode confiar”. 

 

Como homens de Deus, na nossa conduta e forma de estar na vida, à semelhança dos Marines, teremos sempre que pautar o nosso viver por “Semper Fidelis”, ou seja “Sempre Fiéis”, para com Deus e uns para com os outros. Esse é o exemplo que recebemos das Escrituras: temos um Deus fiel, um Salvador chamado Jesus que é fiel, uma Palavra que é fiel. Tanto no Velho como no Novo Testamento, o Deus fiel é referido. Isaías, ao esboçar a missão do Filho de Deus, afirma: “Os reis o verão, e os príncipes se levantarão; e eles te adorarão por amor do Senhor, que é fiel…” (Isaías 49:7). Paulo, escrevendo aos cristãos em Tessalónica, ele observa: “Todavia, o Senhor é fiel; ele vos confirmará e guardará do Maligno” (II Tessalonicenses 3:3). De uma forma mais prática, ele assegura: “…Mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças (I Coríntios 10:13). Como Salvador fiel, ele é um exemplo a ser seguido: “…Pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplos para seguirdes os seus passos…” (I Pedro 2:21). Os escritores bíblicos estavam conscientes de que a Palavra que anunciavam era confiável. Escrevendo a Timóteo, Paulo assegura o facto de que “Fiel é a Palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (I Timóteo 1:15). Por outro lado, não é menos verdade que a vida cristã é para ser vivida em fidelidade. Sobre Estêvão, o primeiro mártir da era cristã, “um homem cheio de fé e poder”, por ocasião da sua morte, Lucas escreve: “E apedrejavam Estevão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito!” (Actos 7:59) Porquê toda esta serenidade e lealdade a Cristo? Porque ele se identificava com o seu Senhor.

 

Vivemos num mundo que está em mudança constante, em que aquilo que ontem era verdade, hoje deixa de o ser. Veja-se o que está a acontecer nos Estados Unidos, com evidente divisão e instabilidade para os cidadãos deste país, quando um presidente sucede a outro revertendo muitas das políticas do seu antecessor. Imagine como seria instável a fé dos cristãos, se Deus mudasse/revertesse as suas leis de tempos a tempos, influenciado pela opinião pública. Não, as suas leis e princípios que nos governam, porque são justas, são também imutáveis, criando em nós um senso de segurança para a nossa fé. Felizmente, somos cidadãos de um Reino que não se abala por meros caprichos de quem o dirige, que requer que “Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel” (Hebreus10:23). O texto prossegue (v.24), instando-nos a que nos consideremos “também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras”, estímulo esse que devemos considerar de modo a acrescentar homens fiéis. 

Lembram-se das palavras de Salomão? “Um homem fiel, quem o encontrará”? São os homens fiéis que estão em condições de reproduzir homens fiéis! É por esse motivo que insistimos em ministérios de homens nas igrejas locais, viveiros ideais, o habitat natural para a multiplicação dessa espécie de homens. Homens fiéis, justos, íntegros, confiáveis, preocupados em deixar um legado de fé e fidelidade aos seus descendentes. Provérbios 20:7 diz: “O justo anda na sua integridade; felizes lhe são os filhos depois dele”. 

Eu desejo ardentemente ver o nosso país ser impactado por homens “Semper Fidelis” ou seja, “Sempre Fiéis”. Creio que uma das formas de o conseguirmos é darmos mais atenção aos homens das nossas congregações, trabalharmos mais com eles no seu desenvolvimento pessoal e espiritual, de modo a podermos trazer bênção à nossa nação “produzindo” homens fiéis que serão uma bênção.

Paulo escreve a Timóteo, seu filho (descendente) na fé: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idóneos para instruir a outros”. (II Timóteo 2:2) O número de homens fiéis precisa urgentemente de ser multiplicado!

Abel Tomé