Ser desqualificado deve ser uma experiência muito desagradável e penalizante para qualquer indivíduo. No desporto, como noutras áreas da vida, e mesmo como cristão, é possível ser-se desqualificado, comprometendo assim todo um futuro brilhante e promissor que se perspectiva.

Que o diga Lance Armstrong, ciclista profissional norte-americano, vencedor de sete voltas à França em bicicleta, títulos alcançados no Tour entre 1999 e 2005, sem dúvida um registo notável somente ao alcance dos melhores. À luz destes resultados, Armstrong era de facto o melhor, bem como Ben Johnson, velocista canadiano que participou nos Jogos Olímpicos de Seul, na prova dos 100 metros, obtendo uma marca que faria dele o homem mais rápido do mundo, conquistando a medalha de ouro. Do mesmo modo que era Marion Jones, ex-velocista americana, vencedora de cinco medalhas, três das quais em ouro, conquistadas nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000. Em comum, para além de considerados atletas de eleição, têm o epíteto de "batoteiros", dado que os resultados alcançados são fruto de uma fraude. Ou seja, eles não competiram "limpos", isentos de qualquer irregularidade, mas usaram substâncias proibidas para melhorar a sua performance em prova.

Como resultado, Marion foi condenada a seis meses de prisão, depois de ter reconhecido que tomou essas substâncias durante algum tempo, sendo-lhe retiradas as medalhas e as marcas apagadas dos registos olímpicos. Armstrong viu serem-lhe retirados os sete títulos alcançados no Tour, perdeu patrocinadores como a Nike, tendo sido banido do desporto para sempre. Uma desilusão!

Como disse no início deste artigo, até os cristãos podem ser desqualificados, se tivermos em mente que a vida cristã é comparada a uma "corrida", como diz o apóstolo Paulo: "...acabei a carreira" (II Timóteo 4:7b). Já no ocaso da sua vida, Paulo tem consciência de que a sua caminhada/prova está a chegar ao fim. Ele teve que cumprir várias etapas, que requereram dele muito empenho e persistência, sem nunca recorrer a artifícios enganosos para ser vitorioso. Ele estava satisfeito e possuído de um sentimento de dever cumprido, sabendo que o aguardava uma recompensa pela sua fidelidade e honestidade. Ele aceitou incondicionalmente o percurso/traçado estabelecido e as regras a que estava sujeito (Hebreus 12:2). Não inventou, nem ludibriou ou enganou alguém, muito menos o seu "chefe de fila", Jesus, a quem devia lealdade. Como cristão, não foi uma fraude. Infelizmente, a lista dos desqualificados por razões diversas, nomeadamente infidelidade, orgulho, imoralidade, falta de rigor, entre outros, não pára de crescer. Desengane-se quem pensa que pode definir o seu próprio percurso nesta prova espiritual em que está envolvido, ou mesmo alterar o que quer que seja em benefício próprio. Para os que correm "limpos", adoptam comportamentos transparentes diante de Deus e dos homens, aguarda-os um troféu: "...Vinde, benditos de meu Pai. Possui por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo" (S. Mateus 5:34). Quanto aos "falsificadores de resultados", os "batoteiros", "os que não respeitam as regras", esses não serão recompensados: "E, se alguém não milita, não é coroado, se não militar legitimamente." (II Timóteo 2:5).

Armstrong mentiu quando negou ter usado substâncias proibidas, vindo posteriormente a admitir a sua utilização, num momento em que ser honesto servia o seu propósito. Jim Denison, na sua página na internet em http://www.denisonforum.org , comentando a atitude do seu compatriota neste processo, cita uma pesquisa efectuada nos Estados Unidos que revela que "uma em cada cinco pessoas não pode passar um único dia sem contar uma mentira". Ainda de acordo com Denison, "numa sociedade pós-moderna que acredita que a "verdade" é "pessoal e subjectiva", a forma como Armstrong se comportou não surpreende. Termina a sua análise a este caso alertando para aquilo que considera ser um "aviso de Deus para a nossa cultura" (americana), mas que se aplica também a nós: "A falsa testemunha não ficará sem castigo (impune); o mentiroso não escapará" (Provérbios 19:5, Bíblia A Boa Nova). Sobre José no Egipto, alguém titulou: "Da cova ao pináculo". Quanto a Armstrong, Denison, disse: "De celebridade para a desgraça". Esta é a história de alguém que deixou de ser relevante.

Abel Tomé