Polícias da cidade de Huston, nos Estados Unidos, elaboraram e publicaram uma lista de 10 “Conselhos” para “criar um delinquente.” No terceiro conselho dizem: “Nunca lhe dê qualquer orientação religiosa. Espere até que chegue aos 21 anos e “decida por si mesmo.” Curiosamente, esta parece ser a posição dos críticos da fé cristã, que defendem que “não se deve influenciar as crianças a fazer escolhas e tomar decisões em matéria de assuntos sobre religião.” Porque não, quando eles no seu dia-a-dia estão sujeitos a tanta influência, nomeadamente através da televisão, da publicidade, de filmes, internet, música, vídeo jogos, amigos, tendências culturais, literatura secular e pagã com interpretações distorcidas da vida, dos próprios livros escolares, que veiculam ensino discutível sobre a forma como abordam a sexualidade, a ciência, o aborto, entre outros?

Vivemos numa sociedade pluralista, em que aos pais cristãos lhes assiste o direito de proporcionar educação religiosa de acordo com as suas convicções e crenças básicas. Eles compreendem as suas obrigações sociais, ensinando os filhos sobre cidadania, tolerância e respeito mútuo, mas não podem esquecer que têm recebido de Deus um mandato claro: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Provérbios 22:6). Note que aqui temos não só um conselho como também uma promessa condicional. Ignorá-lo é desobedecer à vontade de Deus, podendo acarretar consequências desagradáveis, como foi o caso de Samuel (I Samuel 3:12-13), em que o profeta falhou ao não repreender o comportamento reprovável dos seus descendentes. Educar os filhos torna o papel dos educadores e particularmente dos progenitores cada vez mais difícil, mas essencial no processo de os preparar para a vida. Os pais devem reger-se por elevados padrões e propósito a alcançar no ensino dos filhos, de modo a que estes permaneçam “no caminho em que devem andar” (Provérbios 22:6).

A escola tem um papel insubstituível no desenvolvimento intelectual da criança, do mesmo modo que a igreja tem a responsabilidade de providenciar crescimento e ser uma âncora espiritual. O Estado tem também as suas responsabilidades no que à protecção/integridade física lhe compete, nos cuidados sociais e na criação de oportunidades de emprego e desenvolvimento pessoal enquanto cidadão. O lar, no entanto, continua a ser o espaço por excelência para incutir desde cedo nos filhos os valores que desejamos sejam por eles observados pela vida fora, onde a personalidade de uma criança se forma e desenvolve, igualmente atitudes, valores e crenças são transmitidas/inculcadas nos filhos. À luz da Palavra de Deus, os valores espirituais não são negociáveis na formação dos homens e mulheres do amanhã, fruto do esforço conjunto dos pais.

Quando São Paulo escreve a sua segunda carta a Timóteo, faz questão de lembrar ao seu filho na fé a influência espiritual que ele havia recebido daquelas que foram as suas principais mentoras, a avó Loide e a mãe Eunice. Sendo de ascendência judia, tanto Loide como Eunice estavam familiarizadas com as Escrituras (Deuteronómio 11:18,19) e conheciam a importância que estas representavam na educação dos filhos. Sabiam que colocar um bom fundamento na sua vida constituía uma mais-valia para um crescimento forte e duradoiro. O contributo destas duas mulheres na educação de Timóteo, que o apóstolo enaltece, vem reforçar o papel que as mães desempenham na formação espiritual dos seus filhos. O apóstolo reconhece a importância da aprendizagem da vivência dos princípios da fé cristã logo na fase inicial da vida do homem, claramente expressa numa outra ocasião da sua carta: “…desde a infância conheces a Sagrada Escritura” (II Timóteo 3:14,15). Conta-se que um chefe africano desejou saber em que residia o segredo da grandeza dos britânicos. A Rainha Vitória, levantando uma Bíblia na sua mão disse: “Digam ao chefe que este livro, a Bíblia, é o segredo da nossa grandeza.” Estamos nós a cumprir este desiderato? Com é que podemos passar fé genuína às futuras gerações? Começando precisamente no lar que o Senhor nos confiou e que temos a responsabilidade de edificar.

Abel Tomé