Semear a boa semente

Na parábola do semeador encontramos boa semente que acaba por cair em diferentes tipos de terra (Mateus 13 e Marcos 4). A semente é sempre de boa qualidade, preciosa até “Aquele que leva a preciosa semente…” (Salmo 126:6). O tipo de terreno é que é variável. Que haja em nós o empenho de semear o melhor, sabendo que “o que o  homem  semear se isso também ceifará” (Gálatas 6:7). E Oseias lembra-nos: porque semearam ventos e cegarão tormentas…” (Oseias 8:7). Semeemos a sua palavra pura e preciosa , o verdadeiro trigo! Essa é a sua vontade: “…E aquele em quem está a minha palavra, que fale a minha palavra, com verdade. Que tem a palha com o trigo?- diz o Senhor” (Jeremias 23:28). A palavra é como pão para comer e trigo para semear. É uam palavra viva e eficaz (Hebreus 4:12). Tem vida em si mesma.

 

Semear muito

Somos desafiados a semear em grande quantidade: “e digo isto: que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância também ceifará” (II Coríntios 9:6). Quem semear apenas um litro de trigo não imagina que irá colher um número imenso de sacos. No Egipto, “a terra produziu nos sete anos de fartura a mãos-cheias. Assim, ajuntou José muitíssimo trigo, com a areia de mar, até que cessou de contar, porquanto não havia numeração” (Génesis 41:47,49). Teriam eles semeado pouco? Não. Esta abundância faz crer que a sementeira terá sido também muito grande e empenhada. O mesmo sucede na sementeira espiritual. Temos referências bíblicas de grandes sementeiras: “E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor…” (Marcos 16:20); “Mas os que estavam dispersos iam por toda a aparte anunciando a palavra” (Acots8:4). Contudo, situações há em que se semeia muito, e pouco ou nada se colhe. Porquê? É que para colher fruto é indispensável a bênção de Deus. Isaque teve a experiência de fazer grandes colheitas. O texto bíblico explica porquê: “E semeou Isaque naquela mesma terra e colheu, naquele mesmo ano, cem medidas porque o Senhor o abençoava” (Génesis 26:12). O mesmo não sucedeu, porém, com o povo judeu no tempo do profeta Ageu: “Ora, pois, assim diz o Senhor dos exércitos: Aplicai o vosso coração aos vossos caminhos. Semeias muito e recolheis pouco. Por cauda da minha casa que está deserta, e cada um de vós corre à sua própria casa. Por isso retém o céus o seu orvalho, e a terra retém os seus frutos “ (Ageu 1:6,9,19). Deus estava entristecido com o povo, chegando mesmo a constatar que, “…não houve entre vós quem voltasse para mim…” (Ageu 2:17). Mas o desejo de Deus é que haja muito fruto, pela mudança de atitude do povo, Deus promete voltar a abençoar: “Há ainda semente no celeiro? Nem a videira, nem a figueira nem a romeira, nem a oliveira têm dado os seus frutos; mas desde este dia eu vos abençoarei” (Ageu 2:19).

 

Semear em todo o tempo

É verdade que na agricultura há um tempo próprio para semear. Todavia, na vida espiritual há uma tal urgência em semear que deve fazer-se sempre, “a tempo e fora de tempo”, como recomendava S.Paulo (II Tim. 4:1,2). O diabo sabe que já tem pouco tempo (Apoc. 12:12). E nós, será que já percebemos que também temos pouco tempo? É fácil encontrar “razões” para não semear neste ou naquele momento, mas a Bíblia adverte-nos que rapidamente o tempo se escoará e, finalmente, poderá suceder que acabemos por semear pouco ou nada “Quem observa o vento nunca semeará, e quem olha para as nuvens nunca segará”. (Ecles.11.4). E quanto ao lugar? Semeamos em todo o lugar: “Bem-aventurados vós que semeais sobre todas as águas…” (Is.32:20). De dia  ou de noite, junto ao poço, no barco, no areópago, junto ao rio ou na prisão, é sempre oportuno semear!

 

Semear com lágrimas

A tarefa de semear nem sempre é fácil. Representa um trabalho árduo, doloroso, muitas vezes regado com lágrimas “Os que semeiam com lágrimas segarão com alegria. Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos” (Sl.126:5,6). São lágrimas de compaixão pelos outros, não de auto-piedade, “Porque o amor de Cristo nos constrange…” (II Cor.5:14). Em Atenas, Corinto e Éfeso…

 

Semear com expectativa

Esta esperança de ver fruto existe por crermos no poder da semente: o Evangelho “Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, mas regam a terra e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a Palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei” (Is. 55:10,11). O evangelho de Cristo é “o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rom. 1:16). Deus promete: “…eu velo sobre a minha palavra para cumprir (Jer. 1:12). Esta expectativa não deve ser abalada durante o tempo em que se aguarda a chegada do fruto “Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia” (Tg. 5:7).

 

Semear mesmo que seja para outros ceifarem

Poderá suceder nunca chegarmos a ver o fruto daquilo que semeamos. Quem planta o coqueiro sabe que só ao fim de anos poderá obter cocos, e não tem a certeza de que será ele próprio a desfrutar do seu sabor e da sua água refrescante. Deus encoraja-nos a alegrarmo-nos tanto por semear como por ceifar: ambas as tarefas edificam o reino de Deus. Disse Jesus aos seus discípulos: “E o que ceifa recebe galardão e ajunta fruto para a vida eterna, para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem. Porque nisso é verdadeiro o ditado: um é o que semeia, e o outro o que ceifa. Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho” (Jo. 4:36-38).

 

Semear para a glória de Deus

O objectivo da colheita é de glorificar a Deus: “Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (Jo.15:8); “…a ordenar a cerca dos tristes de Sião que se lhes dê ornamento por cinza, óleo de gozo por tristeza, veste de louvor por espírito angustiado, a fim de que se chamem árvores de justiça, plantação do Senhor, para que Ele seja glorificado” (Is. 61:3). Por muito que tenha sido o nosso esforço e a nossa dedicação na sementeira nunca caberá a nós qualquer louvor. Façamos nossas as palavras do salmista: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade” (Sl. 115:1).

 Miguel Francisco Coias