Quem viaja de automóvel pela A1 no sentido norte-sul, certamente que já reparou nalgumas saídas de emergência que existem ao longo da auto-estrada. São escapatórias estrategicamente colocadas de forma a permitir aos condutores em apuros (falta de travões, por exemplo) uma saída que lhes permita imobilizar a viatura sem riscos de maior gravidade para os seus ocupantes.

Este exemplo traz à minha mente um outro recurso de que fala a Bíblia, conhecido por Cidades de Refúgio. Era constituído por seis cidades, três de cada lado do rio Jordão, um rio que pude conhecer numa viagem que recentemente efectuei a Israel. A ideia destas cidades partiu do próprio Deus, não do homem, cujo objectivo era permitir refúgio a alguém que acidentalmente ferisse de morte outra pessoa. Uma vez no seu interior, essa pessoa encontrava-se em segurança.

Relevância

Sendo cidades milenares, distantes no tempo e no espaço, que relevância têm para nós hoje? Em primeiro lugar, falam-nos da natureza de Deus e como Ele protege e valoriza o ser humano. Somente alguém de má fé é que se atreve a dizer que o Deus da Bíblia é carniceiro e vingativo, um Deus distante que não se preocupa com a pessoa humana. De facto, a preocupação de Deus pelas suas criaturas é transversal a toda a Bíblia, cuja expressão máxima se encontra na vinda do Seu próprio Filho, como nosso substituto ali na cruz do Calvário. Em segundo lugar, porque se tornam precursoras de um refúgio ainda mais sólido e seguro, que oferece todas as garantias de que nele se encontra plena segurança. Esse lugar é uma pessoa. Chama-se Jesus. Em terceiro lugar, estas cidades não obstante serem estabelecidas pelo próprio Deus, não significam que Ele passa por cima do pecado, pois ao “culpado não tem por inocente” Números 14:18).

Características

De que modo constituíam então um refúgio para quem nelas se abrigasse? O que precisavam de saber as pessoas de modo a preservar a sua vida no caso de serem perseguidas pelo vingador? Teriam que ter conhecimento da sua existência e posicionamento. Existiam muitas outras cidades, mas somente estas haviam sido designadas para refúgio do homicida. Não havia que recear qualquer engano. Estavam devidamente identificadas com a palavra Hebraica “Miklat”, que significava “refúgio”. Não havia lugar a equívocos, qualquer pessoa compreendia o seu significado e poderia aceder a elas, mesmo o estrangeiro, onde quer que se encontrasse. As cidades estavam disponíveis para todos. A salvação que Deus oferece não tem um destinatário privilegiado. As instruções que Deus deu a este respeito eram muito claras: “…todo aquele…” (Josué 20:9). Hoje fala-se muito da importância das acessibilidades às cidades, aos centros urbanos onde a vida acontece, tendo em conta o desenvolvimento das suas populações, particularmente as do interior. Pois bem, já naqueles dias e pela razão que estamos a tratar, havia especial cuidado com o acesso a essas cidades: as suas portas nunca fechavam, as estradas estavam sempre desimpedidas. Os sacerdotes asseguravam-se de que nada as obstruisse. Que quadro lindíssimo está diante de nós. Do mesmo modo que estas cidades antigas estavam à disposição de todos, assim está Jesus igualmente disponível hoje para todos: novos e velhos, ricos e pobres, sábios e incultos, mesmo para o homem pós-moderno. Não está ocupado demais para que não nos possa receber. Em qualquer altura, situação, dia ou hora, podemos perfeitamente ir ao seu encontro. São suas estas palavras: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28). Para lá das suas portas o homicida estava seguro. Tinha tudo o que precisava: vida, alimentação, compreensão, ajuda. Deixe-me dizer-lhe prezado leitor (a), em Cristo encontramos toda a suficiência: vida eterna, gozo, esperança, alimento espiritual, satisfação plena e bênçãos abundantes. Aquele que nos dá todas estas coisas deseja suster-nos dia-a-dia se tão-somente colocarmos os nossos olhos n`Ele.

Imprescindível

O homicida tinha que fazer uma única coisa: correr rapidamente para a cidade de refúgio. Ele não precisava de estar ao corrente de todos os pormenores relacionados com a cidade, antes de entrar. A sua segurança estava garantida se ele “entrasse”. Uma pequena palavra que fazia a diferença entre a vida e a morte. Os benefícios que o aguardavam do outro lado dos portões estavam suspensos por uma única condição, “entrar”.  Jesus é o único que pode garantir salvação para a alma do homem! De modo a receber esta salvação, precisamos somente reconhecer que somos pecadores e que precisamos de uma Salvador, correr para Ele e e desfrutar do refúgio que oferece. Este é o lado humano da salvação, que envolve: vontade, escolha e acção.

Abel Tomé

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