Em Novembro de 2014, o mundo celebrou os 25 anos da queda do Muro de Berlim, também conhecido por “Muro da Vergonha”, uma marca do período da Guerra Fria, que separou em duas áreas a população da cidade de Berlim por cerca de três décadas. Tratava-se de uma barreira física erguida pelo regime socialista da então República Democrática Alemã, também conhecida como Alemanha Oriental, criando uma separação entre o chamado sector capitalista e outro, socialista. Inaugurado a 13 de Agosto de 1961, com uma extensão de cerca de 37 quilómetros que circundava toda a Berlim Ocidental, medindo 3,60 metros de altura, permaneceu como algo abominável até à sua destruição, por demolição, em Novembro de 1989. Agora era possível às pessoas de ambos os lados circularem livremente (estima-se em cerca de 3 milhões de habitantes na época), famílias e amigos reencontrar-se de novo, uma nação ser reunificada, o ódio dar lugar à paz, um novo ciclo de vida começava para os berlinenses e em toda a nação.

Regra geral, os muros/barreiras têm como função proteger, mas também separar/isolar. Desde sempre, o homem construiu muros e, não obstante a razão porque o fazia, o denominador comum era a separação, que nalgumas situações até constituía segurança e era útil, embora noutras circunstâncias fosse prejudicial. No mundo moderno, veja-se o caso do muro de Berlim, que a par do muro/barreira que neste momento separa as duas Coreias, separa também as pessoas, causando dor e sofrimento. A solução para vencer esta espécie de barreiras é uma só, derrubá-las. Contudo, existem ainda outras, não de natureza física, mas social, cultural e espiritual. Um desses muros é-nos relatado por São Paulo, quando escreve aos Cristãos na cidade de Éfeso: “…e, derribando a parede de separação que estava no meio, na sua carne, desfez a inimizade, e, pela cruz, reconciliar ambos…” (Efésios 2:14-16). Estamos a falar de religião.

O mundo em que Paulo viveu era marcado por barreiras de natureza diversa, nomeadamente sociais, que mantinham de um lado os senhores e de outro os escravos, pessoas sem direitos. Em teoria, a relação entre o dono e o escravo não mais existe, hoje, embora haja outras formas de escravatura moderna. Existiam, igualmente, barreiras de ordem financeira, que faziam separação entre ricos e pobres, em que o poder do capital criava inveja nuns e prepotência noutros. Estas diferenças de classes ainda permanecem hoje. Levar estes grupos de pessoas a compreender que em Cristo eles eram um, foi uma tarefa árdua, para a qual São Paulo havia sido chamado. Hoje esse papel cabe à igreja, que não só deve existir como um lugar sem barreiras no seu seio, mas continuar a proclamar que em Cristo “não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos”. (Colossenses 3:11).

Da mesma forma que o homem constrói muros/barreiras que causam separação, na sua tentativa para se aproximar de Deus ele constrói igualmente pontes, desejando desta forma estar mais próximo Dele, para chegar ao céu, sendo a religião uma delas. Porém, até que o homem reconheça e acredite que Cristo morreu pelos seus pecados, que fazem separação entre ele e Deus, e O receba como seu Salvador pessoal, eventuais pontes por si construídas jamais o colocarão em sintonia com Deus. Para quê inventar então, se Deus já preparou uma ponte perfeita e segura quando enviou Jesus para morrer na cruz (João 3:16; I Pedro 2:24)?

A cruz surge, assim, como a ponte que veio tomar o lugar do muro/barreira do pecado, reconciliando o homem com Deus, que significa “colocar juntos de novo”, anulando toda a inimizade, trazendo paz ao seu coração (Efésios 2:15), restituindo-lhe a liberdade, o prazer de viver. Em Cristo, toda a distância espiritual e divisão cessou. Paulo termina este capítulo de Efésios, lembrando-nos que, à semelhança dos berlinenses, nós pertencemos a uma mesma nação (2:19b) e fazemos parte de uma família única (2:19b). Prezado(a) leitor(a), já pertence a esta família?

Fonte: http://www.infoescola.com/historia/muro-de-berlim/

Abel Tomé