O Cristianismo ocidental precisa de uma actualização. Diria mais que a necessidade é desesperada. O Cristianismo, termo pelo qual me refiro à experiência de viver a mensagem de Jesus, deveria caracterizar-se sempre por ser vibrante e refrigerante. Mas o que hoje passa por mensagem cristã surge como algo de decrépito e desgastado. Receio que o Cristianismo, tal como é presentemente compreendido, corre o risco de se converter numa espécie de relíquia. Isso já aconteceu antes. Se o Cristianismo quer ser uma voz vibrante e relevante no século vinte e um, necessita de uma mensagem cheia de frescura — não uma nova inovação ou uma reinterpretação mas de um retorno às suas raízes. E quais são as nossas raízes? Até certo ponto é disso que trata este livro.

A principal experiência e ênfase central do Cristianismo gira em torno do tema do perdão. Se o Cristianismo tem a ver com alguma coisa é com o perdão. Não o perdão apenas como um fim em si ou como um meio legal de escapar à punição, mas perdão como reconciliação e total restauração. O Cristianismo apresenta o perdão como a restauração da relação perturbada entre Deus e a humanidade.

O perdão é também aquilo que tem sozinho a capacidade de alcançar paz e reconciliação nas relações humanas — sejam pessoais, sejam globais. Mais importante ainda, este é um livro que aborda o modo de Jesus perdoar e o modo como Ele nos chama a imitar a sua prática do perdão radical. E radical é a palavra adequada porque, quando se trata da proclamação e da prática de perdão, Jesus foi o inovador mais radical da história. Quando Jesus ensina sobre o perdão, leva-nos ao extremo. Jesus parece estar a indicar que a nossa prática de perdão deve ser incondicional. Mas perdão incondicional é uma ordem pesada e exige que pensemos seriamente nele. Podemos perdoar sempre? Devemos perdoar sempre? Se perdoarmos sempre não estaremos a dar força ao mal? Se perdoarmos incondicionalmente, não estaremos a sacrificar a justiça? Estas são algumas das questões que procuro explorar neste livro.

Ao escrever, tenho principalmente em mente uma audiência cristã, pois assumo que os cristãos constituirão a maioria dos meus leitores. Mas aos que não se identificam como cristãos, quero dizer que também penso em vós. Convido-vos a encararem este livro como uma sinopse do que penso ser o Cristianismo em toda a sua essência. E aos críticos do Cristianismo gostaria de reconhecer que estou tristemente consciente de que nem sempre o Cristianismo tem sido muito agradável. Com demasiada frequência, a mensagem de Jesus foi erradamente representada pela face feia do legalismo, do triunfalismo e do ódio de inspiração religiosa. (No livro, abordo algumas destas questões.) A minha esperança é que me permita apresentar-lhe o maravilhoso rosto do Cristianismo — o rosto do perdão.

Talvez este tenha sido o meu principal motivo em escrever este livro — ajudar a recuperar a verdadeira beleza do Cristianismo como a encontramos no perdão. Ao entrarmos na segunda década do terceiro milénio cristão, somos uma igreja necessitada de renovação — uma renovação de que estou convencido poder ser alcançada por meio de uma recuperação do maravilhoso evangelho cristão do perdão. Num mundo em que a fealdade da raiva e da retaliação conduzem a história do século vinte e um, a beleza do autêntico perdão cristão é a alternativa que se impõe.

— Brian Zahnd

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